← Todos os artigos

Falar sobre suicídio não induz ao suicídio

O silêncio protege muito menos do que se imagina. Como perguntar, o que evitar e para onde encaminhar.


Rascunho para revisão. Texto escrito como base de estrutura e tom. Nenhum artigo deve ir ao ar assinado sem que Josefina tenha lido, reescrito e concordado com cada afirmação. Apague este bloco depois da revisão.
Antes de tudo: se você está em risco agora, ligue 188 (CVV, gratuito, 24 horas) ou 192 (SAMU), ou procure o CAPS ou a UPA mais próxima.

Existe um medo muito difundido: o de que perguntar sobre suicídio possa plantar a ideia. Ele faz famílias, professores e amigos evitarem o assunto justamente com quem mais precisaria falar dele.

É o contrário. Perguntar de forma direta e acolhedora não aumenta o risco. Para muita gente, é o primeiro alívio em muito tempo — porque quem carrega esse pensamento em geral já se sente indizível.

Por que o silêncio custa caro

Quem pensa em morrer costuma testar o terreno antes. Solta uma frase de leve, faz uma piada, comenta algo em tom casual. Se o outro muda de assunto, a mensagem recebida é: aqui não dá.

Quase ninguém quer morrer. Quer que aquilo pare. São coisas diferentes, e a diferença é onde cabe ajuda.

Como perguntar

Sem rodeios e sem dramatizar. Rodeio comunica que o assunto é proibido:

  • “Você tem pensado em se machucar ou em morrer?”
  • “Esses pensamentos aparecem com que frequência?”
  • “Você chegou a pensar em como faria?”
  • “O que tem te segurado até aqui?”

A última pergunta importa tanto quanto as outras. Ela localiza o que ainda sustenta a pessoa — e é aí que o cuidado se apoia.

O que evitar

  • Discutir se vale a pena viver. Argumentar afasta. Escutar aproxima.
  • Reagir com choque ou julgamento. Confirma o medo de ser um peso.
  • Frases que minimizam — “você tem tudo”, “isso passa”, “pensa em quem te ama”. Todas comunicam que a dor é ilegítima.
  • Prometer segredo absoluto. Não se pode. É possível prometer cuidado e transparência sobre o que será feito.
  • Assumir sozinho. Ninguém sustenta isso isolado, nem profissional.

O que fazer

Ficar. Escutar sem pressa. Reduzir acesso a meios letais quando houver risco imediato. E envolver a rede — CAPS, unidade básica de saúde, emergência, psiquiatra, psicólogo. Prevenção não é um ato heroico individual; é uma rede funcionando.

Sinais que merecem atenção

  • Falar em ser um peso, em sumir, em não fazer falta
  • Afastamento súbito de pessoas e atividades
  • Doar objetos de valor afetivo, organizar pendências, despedidas veladas
  • Mudança abrupta de humor — inclusive uma calma repentina depois de um período muito ruim
  • Aumento de uso de álcool ou outras substâncias
  • Insônia persistente

Nenhum sinal isolado é conclusivo. O que pede atenção é a mudança em relação ao que era habitual para aquela pessoa.


Perguntar não empurra ninguém. Costuma ser a primeira porta.

Podemos conversar sobre isso.

josefina queiroz Psicóloga
CRP 03/34013

Atende em Salvador e online.

Se você está em crise agora, não espere. O CVV atende de graça, 24 horas, pelo 188. Em emergência, procure o CAPS mais próximo, a UPA ou ligue 192 (SAMU).