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Quando o problema não é a pessoa, mas o lugar que ela ocupa

Famílias costumam eleger alguém para carregar o sintoma de todo mundo. Entender esse lugar muda a pergunta — e, muitas vezes, o desfecho.


Rascunho para revisão. Texto escrito como base de estrutura e tom. Nenhum artigo deve ir ao ar assinado sem que Josefina tenha lido, reescrito e concordado com cada afirmação. Apague este bloco depois da revisão.

A família chega dizendo qual é o problema, e o problema tem nome próprio. É o filho que não estuda, a irmã que bebe, a mãe que não sai da cama. Todos concordam. Inclusive a pessoa apontada.

A terapia sistêmica começa por hesitar diante desse consenso.

O sintoma como notícia

A pergunta muda de lugar. Em vez de “o que há de errado com essa pessoa?”, pergunta-se: o que essa pessoa está dizendo, em nome de quem, e por que agora?

Sintomas raramente aparecem em qualquer momento. Costumam aparecer em passagens: uma separação, uma morte, uma mudança de cidade, um filho saindo de casa, uma aposentadoria. Momentos em que o arranjo antigo deixou de servir e o novo ainda não existe.

Às vezes o adoecimento de um segura a família inteira em pé. Enquanto há um problema urgente, ninguém precisa olhar para o resto.

Papéis que ninguém escolheu

Com o tempo, os lugares endurecem. Cada um vira um personagem, e o personagem deixa de caber na pessoa:

  • O paciente identificado — quem carrega o rótulo do problema e absorve a atenção de todos
  • O responsável — quem virou adulto cedo demais e não sabe existir sem estar resolvendo algo
  • O mediador — a criança que aprendeu a ler o clima da casa antes de aprender a ler
  • O invisível — quem sumiu para não dar trabalho, e depois não soube mais como aparecer

Ninguém distribuiu esses papéis numa reunião. Eles se formaram como se forma um caminho num terreno: pelo uso.

O que muda quando o lugar é nomeado

Nomear não é acusar. Terapia sistêmica não trabalha com culpados — se trabalhasse, apenas trocaria o eleito. Trabalha com funções: o que cada posição sustenta e a que custo.

Quando alguém percebe que está ocupando um lugar em vez de simplesmente sendo um jeito, aparece uma margem que antes não existia. E costuma ser aí que o sintoma perde a necessidade de continuar falando.

É preciso trazer a família toda?

Não. Atendimento individual com escuta sistêmica é possível e frequente. Mudar a própria posição já altera o sistema, porque as relações são feitas de resposta: quando uma peça se move, as outras precisam se rearranjar.

Encontros com casal ou família são um recurso — útil em certos momentos, dispensável em outros. Isso se avalia junto, não se decide de antemão.


Se você é a pessoa apontada da sua família, vale considerar uma hipótese: talvez você não seja o problema. Talvez você seja quem ficou com ele no colo.

Podemos conversar sobre isso.

josefina queiroz Psicóloga
CRP 03/34013

Atende em Salvador e online.

Se você está em crise agora, não espere. O CVV atende de graça, 24 horas, pelo 188. Em emergência, procure o CAPS mais próximo, a UPA ou ligue 192 (SAMU).