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Por que desenhar ajuda quando falar não ajuda

Há estados que não cabem na frase. O material — papel, cor, argila — oferece uma saída para o que ainda não virou palavra.


Rascunho para revisão. Texto escrito como base de estrutura e tom. Nenhum artigo deve ir ao ar assinado sem que Josefina tenha lido, reescrito e concordado com cada afirmação. Apague este bloco depois da revisão.

Existe um momento na terapia em que a palavra começa a girar em falso. A pessoa já contou a história muitas vezes, já sabe explicá-la, já tem a análise pronta. E nada se move.

Não é resistência. É que aquilo talvez não esteja guardado em forma de frase.

O que o material oferece

Quando alguém desenha, modela ou colore, algumas coisas mudam ao mesmo tempo:

  • Sai da obrigação de organizar. Falar exige sintaxe, ordem, começo e fim. A imagem aceita o contraditório sem precisar resolvê-lo.
  • Coloca a coisa para fora. O que estava girando por dentro ganha uma existência no papel — e passa a poder ser olhado de fora, à distância.
  • Envolve o corpo. Pressão da mão, escolha da cor, ritmo do traço. Registros que a conversa não alcança.
  • Permite aproximação segura. Falar de uma mancha escura no canto da folha é menos invasivo do que falar diretamente do que ela representa. A distância é o que torna possível chegar perto.
A imagem não substitui a palavra. Ela abre caminho para uma palavra que ainda não existia.

Não é interpretação de desenho

Vale desfazer um mal-entendido comum: arteterapia não é decifrar significados ocultos. Não existe dicionário em que casa sem janela signifique uma coisa e árvore sem raiz signifique outra.

Quem diz o que a imagem quer dizer é quem a fez. O trabalho é feito de perguntas — o que apareceu primeiro, o que ficou de fora, o que incomoda nessa parte, o que aconteceria se aquilo ali fosse mudado — e não de veredictos.

Como isso entra numa sessão

Não substitui a conversa; convive com ela. Em alguns processos aparece em quase todo encontro. Em outros, uma vez a cada muitos meses, num ponto em que a fala travou.

Também não exige material sofisticado. Papel e lápis de cor resolvem a maior parte. O que importa não é o resultado — é o que acontece durante e o que se pensa depois.


Se falar tem sido difícil, existe mais de um caminho para chegar lá.

Podemos conversar sobre isso.

josefina queiroz Psicóloga
CRP 03/34013

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